Thursday, 20 March 2014

IT Governance – Parte I

A tecnologia existe somente para trazer valor ao negócio e para servir o negócio. Sendo o principal desafio para as organizações garantir que o investimento efectuado em SI é efectivamente gerador de benefícios reais.

Devem as organizações encontrar formas de medir os benefícios do investimento e assegurar que esses sistemas efectivamente proporcionam o valor prometido ou seja o retorno do investimento. Neste sentido, para que uma empresa consiga aproveitar extraindo todo o potencial das tecnologias como mecanismo conducente de mudança, o CIO deverá estar totalmente alinhado com a estratégia da empresa, para tal deverá existir uma verdadeira IT governance que deverá ser parte da estratégia de governação da organização (corporate governance).

A governanção da organização é baseada na transparência, independência e prestação de contas como forma de atrair investimentos para a organização. Depois das fraudes de 2001, o congresso americano aprovou a lei Sabanes-Oxley, ou SOX, responsabilizando criminalmente os executivos por desvios nas demonstrações financeiras. De uma forma simples, pode definir-se IT Governance, com sendo um conjunto de processos, normas e politicas, que regulam a maneira como as TI é dirigida, administrada ou controlada dentro de uma Organização.

As falhas no Alinhamento Estratégico e de IT Governance, levam a situações como a reportada pela Gartner num dos seus relatórios, onde se estimava que, só nos Estados Unidos, as empresas desperdiçavam $600 biliões de dólares/ano em investimento tecnológico mal planeado ou mal concebido. A governação em TI tem o papel de criar esses controles para que a TI trabalhe de forma transparente aos stakeholders.

Quando um investimento (em TI) falha, para alem dos valores tangíveis (investimento financeiro directo e efectivo) que é totalmente perdido, devemos tambem considerar os valores intangíveis, como valor não realizado, ou o custo da oportunidade desperdiçada.

Até breve …

Paulo Gonçalves


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Recursos:

Apfel, Audrey, 2002, The Elusive Business Value of IT, Gartner.
Rosalina Alves, 2014, in: https://www.linkedin.com/groups/IT-Governance-Como-quando-porqu%C3%AA-4602615.S.5848562293478031364?view=&gid=4602615&type=member&item=5848562293478031364

Tuesday, 18 February 2014

Alinhamento estratégico – Parte II
O alinhamento entre as TI e os objectivos de uma organização, têm sido frequentemente apontados como um dos principais factores de retorno do investimento e de geração de valor no negócio através do uso de TI. A integração e alinhamento estratégico entre os dois planos, deverá acontecer através do levantamento e análise dos SI directamente relacionados com as estratégias do negócio, sendo essa tarefa parte integrante do plano geral da organização.

Os processos de alinhamento nas organizações, passam por:
  • Analise e inovação de estruturas e processos organizacionais;
  • Transparência organizacional, com a partilha da visão e comunicação da estratégia a toda a organização;
  • Obter o comprometimento e empenho por parte dos gestores de topo;
  • Reconhecer e distinguir quem é pró-activo e prticipa activamente nas tarefas de alinhamento;
  • Focar no que é importante, mas mantendo a cultura da organização.

O planeamento estratégico de TI uma vez alinhado e integrado com os objectivos estratégico do negócio, leva ao ajuste dos processos, estruturas e pessoas. Tal situação, numa óptica de IT Governance, garante a redução de custos de exploração por eficiência de recursos e aumento de qualidade da produção.

As TI podem ser descritas como soluções organizativas e de gestão, com o propósito de servir desafios criados pela envolvente em que se inserem, aportando valor à organização. A evidência empírica é comprovada, através de modelos econométricos, do incremento do desempenho nas organizações decorrente do investimento em SI
.
Analisando o alinhamento entre os objectivos Organizacionais e as TI, segundo uma perspectiva tradicional de execução da estratégia, temos a formulação da estratégia do negócio seguida da formulação da estrutura organizacional que suportará o negócio e por fim a implementação da infra-estrutura que TI que suportará a anterior. Nesta perspectiva (figura 1) temos como driver da mudança, a estratégia do negócio sendo a performance um critério que estará centrado no custo por serviço e onde a TI será apenas um suporte para a estratégia do negócio.

Figura 1 – Alinhamento segundo a perspectiva tradicional da execução da estratégia

Na análise do alinhamento se o mesmo for implementado pela transformação do negócio pelas TI, temos a estratégia de negócio a ser formulada lado a lado com a estratégia de TI. Nesta perspectiva (figura 2), tem-se como critério de performance o alcance e manutenção da liderança tecnológica nos mercados

Figura 2 – Alinhamento segundo a perspectiva da transformação do negócio pelas TI

Se a visão (figura 3) do alinhamento se der através dos agentes da TI, as estratégias de TI é que ditarão a alteração da infra-estrutura de TI, que por sua vez, ditará uma reestruturação organizacional. Segundo esta perspectiva tem-se como critério de performance a medida e controle da satisfação do consumidor.

Figura 3 – Alinhamento segundo a perspectiva dos agentes de TI

Caso o alinhamento sob a perspectiva de habilitação tecnológica existente (disponível na organização ou no ambiente externo), temos a TI disponível a influenciar a formulação da estratégia e está como seria de esperar a influenciar a definição da estrutura organizacional. Nesta perspectiva (figura), o driver de mudança é a estratégia da TI e o critério de performance será a liderança do negócio. Nestes casos, os negócios poderão ser totalmente reorientados, alterando todo o seu ambiente externo (concorrentes, clientes e fornecedores).

Figura 4 – Alinhamento segundo a perspectiva pelas TI existentes

Os modelos de alinhamento estratégico entre o negócio e as TI, estudam sempre o impacto na performance da eficiência organizacional e a obtenção de vantagens competitivas. A promoção do alinhamento implicará que cada acção seja uma resposta a um objectivo estratégico da Organização. Nesse sentido, no caminho critico do alinhamento, não devem ser equacionados projectos que pouco ou nada enderecem objectivos estratégicos da organização.

Até breve …

Paulo Gonçalves


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Recursos:

Kaplan, Robert e Norton, David (2006), "Alignment: Using the Balanced Scorecard to Create Corporate Synergies", Harvard Business School Press, ISBN-13: 978-1591396901

Ward, John L. e Peppard,Joe (2002), "Strategic Planning for Information Systems", John Wiley & Sons Ltd, Chichester, England.

Boar, B. H. (1997), "Strategic Thinking for Information Technology", John Wiley & Sons, Inc, USA.

Laudon, Kenneth C. e Laudon, Jane P. (2006), "Management Information Systems: Managing the Digital Firm.", 10th ed., Upper Saddle River: Pearson / Prentice Hall.

Thursday, 13 February 2014

Alinhamento estratégico - parte I

À tarefa de assegurar sinergias entre equipas, processos, unidades de negócio/organizacionais e parceiros estratégicos, denominamos de “Alinhamento” (estratégico). O alinhamento é um processo de gestão entre as unidades de negócio e os objectivos da organização. Processo esse que assenta na identificação e formulação de objectivos e em acções que conduzam à sua execução. Esta identificação de objectivos, processos tem que ter em conta a cultura organizacional (factor interno) e o ambiente em que se insere (factor externo).


Verifica-se muitas vezes a falta de alinhamento entre as unidades de negócio e os objectivos da organização. Esta falta de alinhamento faz com que o resultado final fique aquém do que se poderia ter alcançado se as unidades de negócio estivessem alinhadas entre si e trabalhassem em conjunto em prol de uma a estratégia corporativa. Sobre esta situação escreveram Kaplan e Norton “Many corporation are like an uncoordinated shell. They consist of wonderful business units, each populated by highly trained, experienced, and motivated executives. But the efforts of the individual business units are not coordinated.”.


No alinhamento estratégico, é determinante o valor dos bens não quantificáveis de uma organização e qual o seu papel nessa estratégia.

Consideram-se bens não quantificáveis:
  • Capital Humano - Relativo ao talento, qualificação e conhecimento dos funcionários;
  • Capital Organizacional - Relativo à cultura, liderança, alinhamento dos funcionários, trabalho em equipa e gestão do conhecimento;
  • Capital Informativo - Inclui os Sistemas de Informação de um forma geral, dados, redes e toda a infra-estrutura de SI/TI.


O valor destes bens deriva da sua capacidade em ajudar a organização a implementar a estratégia. Uma organização é uma estrutura social, estável e formal, criada com determinado fim, que através de processos internos, transforma recursos em resultados.


O alinhamento estratégico pressupõe:
  • A partilha da visão, da estratégia, dos valores e dos objectivos;
  • Um compromisso por entregar valor aos clientes dentro da organização;
  • O compromisso de se estar atento para se poder proporcionar melhorias nos processos;

As TI devem ter um papel importante na execução da estratégia organizacional.

Thursday, 9 January 2014

Introdução

Confesso que me dá um certo prazer conceber este projeto que pretende ser um espaço de partilha, onde cada texto produzido além de transmitir uma visão (a minha) sobre o tema, possa promover, provocar  e impulsionar o debate. Debate esse que tentará ser sempre centrado na Gestão associada às Tecnologias de Informação (TI).

O Nome "Como, Quando, Porquê... Quanto", surge porque invariavelmente todas as ideias passam por uma fase em que são questionadas antes de serem passadas à prática. Tipicamente essas questões são:

Como… Como é que poderei adotar determinado conceito ou ideia?
Quando… quando é que será o momento ideal para implementar?
Porquê… será que esta ideia serve a minha realidade?
Quanto… invariavelmente há sempre um quanto, seja ele efetivamente financeiro ou não?

A temática da gestão em TI, decorre do facto de sendo um consultor na área das Tecnologias de Informação. Situações há em que "sinto na pele” grande parte dos temas que por aqui irão passar, pelo que será também um exercício de partilha, debate, esclarecimento de ideias e aprendizagem.

A visão que tenho das TI, é que estas existem somente para o servir o negócio, alavancando-o e trazendo-lhe valor.

Nesse sentido diria que é inequívoco, afirmar-se que as TI são ferramentas de produtividade de extrema importância, de tal forma que nenhuma empresa se pode alhear desse facto. 

Os investimentos em TI realizados pelas Orgnizações, alem de não serem tomados de ânimo leve, são normalmente equacionados e planeados ao nível das estratégias organizacionais, independentemente do seu cariz mais operacional ou mais estratégico uma vez que visam um “apport” em termos de eficiência e eficácia organizacionais.

Espero que este blog seja parte do (longo) caminho a trilhar na Gestão em Tecnologias de Informação.


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Paulo Gonçalves